No dia 15 de dezembro de 2010 foi aprovado por quase unanimidade pelos deputados federais o aumento de seus próprios salários. A única liderança que não se articulou pelo aumento foi a do PSOL. O reajuste foi na casa dos 61%, elevando o salário dos 513 deputados de R$16.500,00 para R$26.700,00, o mesmo valor recebido pelos ministros do STF. Nada mal, não? Não podemos esquecer que esse aumento causa um efeito cascata que por lei também aumenta o salário dos deputados estaduais e dos vereadores.
Bem, janeiro de 2011. A Presidente Dilma toma posse com a missão declarada de dar continuidade ao trabalho do Presidente Lula com o crescimento de economia, além da erradicação da pobreza, valorização dos professores, etc.
Fevereiro de 2011. Além de outros assuntos, entra em pauta o tão esperado aumento do salário mínimo. O governo bateu o martelo para que o salário passasse de R$510,00 atuais para futuros R$545,00. Sindicalistas e oposição defendem aumento para R$580,00. As prefeituras gritam e dizem que como não houve aumento na arrecadação e se o salário mínimo subir muito haverá comprometimento na prestação dos serviços públicos básicos, como educação e saúde, por exemplo.
O governo anuncia um corte nos gastos públicos na ordem de 50 bilhões de reais no intuito de segurar a inflação. Em contrapartida diz que não vai mexer no orçamento das obras do PAC, mas os concursos públicos federais são suspensos e serão reavaliados os gastos nos ministérios e nas emendas dos parlamentares.
Ok. O governo está pensando de forma coerente. Para se colocar ordem na casa nada melhor do que segurar as despesas, mas avaliemos bem quais são as prioridades… No embalo de “farinha pouca, meu pirão primeiro” os digníssimos deputados generosamente se deram um astronômico aumento para um ano de previsão de arrocho fiscal.
É claro que não dá pra comparar proporcionalmente, pois cada aumento de 1 real no salário mínimo causa impacto de despesa adicional de R$1,5 milhão no orçamento dos municípios. O problema está na distribuição desigual da grana, pois nesse país é pouca gente ganhando os tubos pra votar o próprio salário e o restante da população a ver navios tendo que carregar esse piano nas costas. E toma-lhe imposto!
