O problema da corrupção e do crime organizado no Brasil é assunto antigo e está presente em diversas esferas da sociedade. De tão antigo e notório esse leque de golpes, malandragens e afins foi até merecedor da alcunha “jeitinho brasileiro”.
Atualmente muito tem se falado a respeito do resgate da ética e do orgulho de servir ao país, de ser brasileiro. São louváveis todos os esforços empreendidos no sentido de melhorar a imagem já tão arraigada de um Estado que possui membros interessados apenas em movimentar a máquina em propósito particular.
A nossa polícia é o foco da mídia. Mais intensamente após a tomada dos conjuntos de favelas do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro. Tal fato repercutiu e teve seus efeitos na vida de milhares de pessoas que hoje estão livres da ação ostensiva de bandidos e traficantes impondo toda a sorte de ordens em nome de um poder paralelo.
O engraçado é constatar que esse mesmo poder paralelo além de ser composto pelos próprios meliantes também tinha uma ajudinha valiosa de policiais. Civis, militares e até delegados. A operação Guilhotina, da Polícia Federal, vem descortinar e responder a alguns questionamentos a respeito da origem das armas, das drogas, proteção aos bandidos e até envolvimento de algumas prefeituras em esquemas ilícitos.
Eram policiais jogando contra o próprio time, municiando o inimigo. O lobo na pele do cordeiro. Para eles, o complexo de favelas virou um garimpo de armas e drogas que voltavam para as mãos erradas. Alguns deles chegavam a faturar 100 mil por mês só de propina.
Descortina-se uma indústria muito lucrativa: a indústria do crime organizado. As denúncias chegam até o chefe da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Cláudio Ferraz. O secretário de segurança José Mariano Beltrame será o responsável pelo futuro de Ferraz após a apuração dos fatos. O delegado Carlos Antonio Luiz de Oliveira, ex-subchefe da Polícia Civil e atual subsecretário de operações da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) teve a casa vasculhada e já é considerado foragido.
Vivemos na expectativa de que esses eventos causem bons resultados e ganhem vulto cada vez maior para que a cada dia tenhamos menos dúvidas a respeito de quem está vestindo a farda e o paletó. Se é polícia, cidadão ou bandido.
Esperamos, outrossim, que ocorra uma onda de moralização em todas as esferas da sociedade, pois sabemos que há mais caroço embaixo desse angu e basta um pouco mais de afinco para que ele apareça. A sociedade já está cansada de conviver com as velhas e espertas raposas pançudas dentro de seu galinheiro.
