De vários problemas que surgiram junto com as inovações tecnológicas, os que vieram com os automóveis ganham destaque diário nos noticiários.
Estresse no trânsito, violência, morte e problemas ambientais permeiam a estória dessa máquina criada com o objetivo de trazer facilidade e mobilidade ao dia a dia das pessoas.
As cidades se moldaram a eles, que reinam absolutos nas ruas, porém, o conceito de mobilidade e facilidade deixa de existir quando se fica preso em um costumeiro congestionamento na ponte Rio-Niterói ou na rua Dr. Paulo César nas primeiras horas da manhã. As pessoas cada vez têm que acordar mais cedo pra chegar ao destino e às 06:30 da manhã já vemos algumas retenções pela cidade. É uma ironia ter o carro como garantia de chegar a um destino e mal conseguir sair do lugar com ele. As motos estão vindo a reboque como solução para os problemas, mas não nos esqueçamos que elas chegam a ser mais poluentes que os carros.
O sistema capitalista-financista em que vivemos nos hipnotiza e nos faz pensar que ter um carro é sinal de status e poder, então, todos querem ter um. Os únicos que detém o poder nesse caso são aqueles que produzem os veículos e controlam a matriz energética. Os outros, pobres mortais, são apenas direcionados a agir da maneira necessária para que as coisas continuem do jeito que estão, ou seja, alimentando a produção com as compras e é claro, consumindo bastante combustível. Eles querem aproveitar até a última gota antes que tudo se acabe.
No governo do presidente Juscelino, iniciou-se o seu domínio, quando decidiu-se sucatear as ferrovias em benefício das rodovias. Grande negócio à vista. Hoje, o que se vê é um controle total das vias pelos automóveis. Não há ciclovia para as bicicletas e já está faltando calçada para os pedestres.
Em Niterói, a frota teve um crescimento exorbitante nos últimos anos. Praticamente dobrou o número de veículos nas ruas. Em 1992, a cidade tinha aproximadamente 82 mil veículos emplacados. Em 2007 esse número era de 196 mil e atualmente já são mais de 200 mil. Considerando-se a população da cidade, o índice implica em um veículo para cada 2,4 habitantes, média muito superior à de 1960, quando a relação era de um para 14.
Nossa cidade que diziam ter um dos melhores índices de qualidade de vida do país, sem receber infra-estrutura, acolheu milhares de moradores novos atrás de constantes lançamentos imobiliários suntuosos. Com a chegada de mais gente temos mais produção de esgoto, mais poluição, mais carros nas ruas e menos espaço nas vias. O resultado disso? Menos qualidade de vida.
Isso acontece por falta de políticas públicas adequadas que priorizem o desenvolvimento sustentável da cidade, a adoção de transporte de massa eficiente, além da promoção de outros meios de locomoção não poluentes, como a bicicleta, por exemplo.
Os europeus já identificaram os veículos como fonte de graves problemas de saúde, sociais e ambientais, limitando o seu acesso aos centros urbanos e devolvendo os mesmos aos pedestres e ciclistas. Nas cidades como Paris, Londres a Amsterdã, por exemplo, passou-se a priorizar as relações sociais e uma atmosfera mais limpa para respirar.
É uma pena que Niterói vá exatamente na contramão desses ideais, fazendo uma política voltada para a manutenção desse caos em que vivemos, onde os empresários de transporte coletivo são beneficiados prestando um serviço ineficiente e caro.
Alguém já ouviu falar do Estatuto da Bicicleta de Niterói? Ele existiu em algum momento no ano de 2008 antes de ser vetado na Câmara. Vou deixar para reflexão os motivos que o levaram a ser engavetado…
O governador Sérgio Cabral divulgou em 2008 que transformaria o Rio no estado da bicicleta e que o plano piloto seria lançado em Niterói, ligando a estação das barcas ao campus da UFF. Se a proposta se realizasse seria ótimo para a cidade, porém está parecendo mais um plano que está fadado a não sair do papel. Por enquanto, aguardamos novidades.
Enquanto não se pensar em soluções sérias para o uso sustentável dos veículos, todos seremos prejudicados em nossa saúde física e mental. Tanto os motoristas, hipnotizados pelo poder de suas máquinas que atualmente encontram mais dificuldades que facilidades no seu uso quanto nós pedestres e ciclistas, cada vez estamos mais acuados em uma cidade que a cada dia menos nos pertence.
Em Niterói, os carros já são tantos que está faltando espaço para pedestres e ciclistas.

A educação no trânsito precisa fazer parte de uma política pública para acabar com o domínio dos automóveis.
3 respostas Até agora ↓
zeka viola // Setembro 5, 2009 às 1:02 am
Automóveis cada vez maiores mais poluentes e motoristas cada vez mais deseducados.Sou adepto da bicicleta, mas acho difícel que projetos como este do Sérgio Cabral venham a ser implantados e se forem difícelmente pegariam pq as pessoas preferem ficar fechadas no carro dentro de um engarrafamento a pedalar contra o vento. Comodismo, sedentarismo.
jorge caliman // Setembro 25, 2009 às 3:55 pm
leiam o comentario abaixo e tirem suas conclusões…
audiencia MP 24/09/2009 (Venda terreno IPC)
- presentes representantes da Odebrecth, MP e Secr.Transito e Urbanismo alem da massa ignara…
- balanço final: tudo aprovado, validado e sacramentado…
- secr.Nitrans nao conhecia a analise de viabilidade do projeto (aprovado na gestao anterior) e a secr.urbanismo (pelo que consta) foi quem fez o projeto do predio…
- falou-se muito e sobre generalidades mas o que fica no final é: o municipio durante decadas deu isenção de IPTU para IPC (esta em area de Especial Interesse Urbanistico e porisso o terreno merecia tratamento para uso futuro para equipamento publicos e interesse social)…
- o Godofredo e Vereadores deram um presente de grego a cidade e em 20/12/2007 aprovou lei autorizando venda IPC por (dizem) R$37 milhões…
- sorte dos socios (ops donos) que nao pagaram por 70 anos IPTU as custas da populaçao de Niteroi….como foi dito que o predio vai gerar R$1,5 milhao/ano de IPTU
- para entao o Executivo/Legislativo aprovar essa maracutaia (uma lei ‘privada’), com um projeto que é ridiculo na estetica por avançar ate a beira da calçada enquanto todos os outros daquela regiao respeitam o recuo….
- E O PIOR É QUE NA MESMA EPOCA A PREFEITURA AUTORIZOU OUTRO MOSTRENGO (AO LADO DO CLUBE REGATAS), AONDE SE SITUAVA UM EDIFICIO GARAGEM ELIMINADO 200 VAGAS…
- E NAO CONSEGUIU FAZER A GARAGEM SUBTERRANEA NA PRAÇA DO CINEMA ICARAI !!!!
Bastava um pouco de senso (nem que fosse ruim) pra fazer a garagem no terreno do IPC, com um praça por cima, ajudando a melhorar o estacionamento e transito nas redondezas, inclusive na Moreira Cezar !!!!
Mas é querer demais de administradores que autorizam venda de clubes pra fazer edificios, depois de dar-lhes 70 anos (ou mais) de extensão do IPTU…
Que o dia a Hipica, o Gragoata (por hora) e no futuro o Regatas, Central, Iate, etc, etc.
aver que nos reserva tao brilhante especulação (ops, administração) urbanistica…
durma-se com um barulho (ops governantes/politicos) desses…
Tyeh Gaia // Outubro 22, 2009 às 7:15 pm
A atual administração municipal acha que fazendo estacionamentos subterrâneos vai resolver o problema dos automóveis na cidade. Enquanto isso, as estatísticas mostram que o número de carros não pára de crescer. O resultado disso são engarrafamentos, estresse e poluição. Onde está a qualidade de vida?